Freud explica

O título que pensei anteriormente seria: “Como a psicanálise corrobora com a perpetuação do patriarcado”, mas vamos dar nome aos bois, não é mesmo?

Qual a primeira coisa que lhe vem à mente quando lê o termo “psicanálise”? A mim, Freud, o pai dela. O pai abusivo, misógino e agressor da psicanálise, o criador da ferramenta mais promissora do século XX que fundamenta sua inferioridade como a Bíblia fez na Era da Medieval — ainda o faz.

Para quem é nova neste assunto, Freud inicia o século XX criando uma teoria que, agora já devidamente desligada da filosofia, compreende os motivos psíquicos de todos os problemas sofridos pelas mulheres, por decorrência da misoginia e da opressão estrutural estabelecida desde o início dos tempos. Dividindo a mente em consciente e inconsciente, sendo o consciente a completa noção e percepção dos sentidos, e o segundo, tudo que esteve reprimido do consciente, como algo escondido que, por meio da psicanálise, torna-se possível superar. Vale lembrar que para Freud a teoria tomava com base o sexo, os desejos sexuais — como se a sexualidade feminina já não fosse suficientemente desprezada e usada a favor do patriarcado.

Com isto, cria-se os transtornos. Rótulos muito bem fundamentados com a subjetividade da mente humana para justificar a submissão feminina.

“Mas homens também possuem transtornos!” Você diz.
Não de acordo com esses conceitos freudianos:

       1. Perturbação Histriônica da Personalidade (PHP)

Consiste em necessidade constante de atenção, comportamentos excessivamente dramáticos, pessoas manipuladoras, sedutoras, impulsivas, inconstantes, e exigentes. Pessoas vulgares, por assim dizer, ou que usam sua aparência para manipular ou seduzir outrem.

Sejamos coerentes, qualquer pessoa pode abarcar essas características. Com mais probabilidade se a pessoa passou por traumas, abusos físicos ou psicológicos. Além disso, a raiz etimológica da palavra é chocante.

“O termo origina-se do grego, hystéra, que significa útero. Uma antiga teoria sugeria que o útero vagava pelo corpo e a histeria era considerada uma moléstia especificamente feminina, atribuída a uma disfunção uterina. Na verdade, os sintomas histéricos podem se manifestar em homens e mulheres e são mais comumente observados na adolescência.”

Curioso, não? É até comum o termo “histérica” ser usado para fazer gaslighting. Marilyn Monroe foi diagnosticada com PHP, por ser uma mulher à frente de sua época.

     2. Transtorno da Personalidade Masoquista

O transtorno de personalidade masoquista baseia-se na submissão e, grosso modo, no prazer em vivenciá-la. Quem possui este transtorno costuma humilhar-se, dar a outra face, entre outras características, a fim de agradar outrem. Algumas características que podem ser citadas:

(I) auto-sacrifício e aceitação da exploração de outros;
(II) sentimento de não merecer o amor em sua vida.

Por sua vez, é encarada como uma parafilia, o prazer na dor e no sofrimento. Com contribuição do pai da psicanálise:

“O dicionário segue contando que Freud estendeu a noção de masoquismo para além da perversão descrita pelos sexólogos, seja estendendo o termo a aspectos da vida dita normal (como a sexualidade infantil), ou qualificando o termo em Masoquismo Erógeno, Masoquismo Feminino e Masoquismo Moral.”

Ora, neste momento só me recordo das mulheres espancadas pelos cônjuges que vivem uma relação de Estolcomo, sendo que 43% das mulheres sofrem agressões diariamente, mas como é o ditado mesmo? “Mulher gosta de apanhar!” ou “Um tapinha não dói!” E com esses chavões cria-se uma cultura de extermínio feminino pelo prazer do homem.

       3. Transtorno da Personalidade Sadista

“Advém do comportamento de Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade. Ele foi um aristocrata francês e escritor marcado pela pornografia violenta e pelo desprezo dos valores religiosos e morais. (…) De seu nome surge o termo médico sadismo, que define a perversão de obter prazer infligindo dor física ou moral em outrem.” (Grifos meus)

Deveria ser consenso no nosso meio que pornografia é uma violência decorrente da misoginia, e que de libertadora não tem nada. Lá no século XVII a misoginia era denominada sadismo. Então, classificamos que o masoquista gosta de sentir dor, e o sádico de causar dor. Juntando os pontos: sadomasoquismo e a romantização da violência contra a mulher, bem representada em 50 Tons de Cinza. Bom, nem todo sádico é homem, mas todo homem é sádico!

“Mas eu gosto de sentir dor/causar dor!” O que é gostar?

Não sou versada em Psicologia, alguém poderá dizer melhor todas as problemáticas envolvendo Freud, desde pedofilia até a misoginia escancarada, como já vista em alguns transtornos supracitados. Além disso, ao criar a psicanálise, Freud garante que seus abusos e violências não passam de sentimentos reprimidos da infância, e que você deve superar, ou ainda sugere que você estava conscientemente desfrutando de tais abusos. Ele te ajuda a superar os medos, as aversões e a amar os homens novamente, mesmo que tenham te estuprado e abusado psicologicamente das suas funções cognitivas. Perdoe o pênis, ele é puro instinto, é mecânico.

Referências

Psicanálise. http://www.infoescola.com/psicologia/psicanalise/

PHP. http://oficinadepsicologia.com/perturbacoes-de-personalidade/histrionico-2

____. http://www.freudpage.info/freudhisteria.html

Transtorno de Personalidade Masoquista. http://saude-info.info/transtorno-da-personalidade-masoquista.html#sthash.Egi0iIkq.dpbs

________________________________. http://www.ufrgs.br/psicopatologia/wiki/index.php/De_Sacher-Masoch_ao_Masoquismo

Sadismo. http://faminem.com/2011/08/07/a-origem-da-palavra-sadismo/

Plus

Um diálogo com Simone de Beauvoir. http://www.cufa.org.br/in/maria_maria/simone.pdf

Prevalência de transtornos mentais comuns em mulheres e sua relação com as características sociodemográficas e o trabalho doméstico. http://www.scielo.br/pdf/rbsmi/v5n3/a10v5n3.pdf

Por que “deixei” de ser feminista

“Deixei” entre aspas porque nunca o fui.


Falar sobre o feminismo é complicado, há muita informação difamatória por aí sobre o movimento, há backlash — que nada mais é que uma segunda teoria contra a primeira, mais popular e esteticamente atraente. Essa teoria leva a alcunha de feminismo, mas nunca ajudou nem melhorou os direitos e conquistas das mulheres.

Antes de desligar-me do adjetivo “feminista”, flertava com o feminismo radical — o que chamam de verdadeiro feminismo, o feminismo único, pois foi a partir dele que surgiram teorias acerca de toda a exploração das mulheres, e o surgimento dela; caracterizada como segunda onda. Sempre achei o feminismo radical esclarecedor e producente para as mulheres, pois vai à raiz da opressão e estuda os mecanismos de manutenção do poder, status quo e como lutar contra eles. No entanto, o feminismo radical tem seus defeitos. Ele foi concebido numa época onde  o conceito trans não era popular, nem um ativismo. Ele nasceu quando travestir era uma ferramenta de apagar gays e lésbicas, pois a noção universal de sexualidade era — e ainda é — da heterossexualidade. Portanto, um homem que utiliza de roupas e acessórios anteriormente denominados como “femininos”, possui aceitação parcial da sociedade para relacionar-se com homens (e isso acontece até hoje em alguns países onde a homossexualidade é criminalizada). O transativismo atrapalha nossa ascensão de direitos da mulher no mundo, por reforçar estereótipos que arduamente tentamos eliminar. Porém, o transativismo de 2015 é diferente daquele usado como pena nos anos 60 — era isso ou castração química. O que o radical não conseguiu aduzir, por ora, é que bater o pé não resolve. Eu sei que cérebro feminino não existe, e nem roupas femininas, existem papéis sociais a serem cumpridos desde o nascimento. E o radical não deu conta de explicar a explosão de trans atualmente. A homossexualidade ainda é repugnada, o travestismo idem. E sabendo que todos os movimentos sociais estão dominados por homens — o LGBT, o backlash, o feminismo liberal, os movimentos estudantis — eu me afastei. Larguei o colete. Não estamos seguras nos nossos espaços, nunca estivemos nas ruas, e muito menos na universidade.

Mas a intenção nunca foi focar no transativismo. Não me interessa o que eles fazem, desde que não machuque uma mulher ou ofusque suas exigências.

Acontece que, o feminismo é uma teoria linda, elucida nossas percepções, nos faz questionar por que agimos de tal forma, por que gostamos de tal coisa. Todavia, na prática ele é doloroso. E há quem diga que “se não machucar não é feminismo”. Então criamos uma teoria para continuar nos machucando como o patriarcado? Contextualizando, o feminismo liberal prevê que o seu bem-estar seja prioridade, então você é atriz pornô se isso te faz bem, você usa maquiagem se te faz sentir bem, mas ele não questiona por que nos sentimos bem e o quanto esse “bem” é subjetivo. O radical faz isso. O liberal tem esse nome porque é capitalista. Não existe libertação da mulher no capitalismo e menos ainda individualmente. Isso não afeta o sistema. É como não trabalhar para não gerar lucro a um burguês; o sistema permanece e você continua sem dinheiro. Aí, surgem mulheres que, não intencionalmente, levam a teoria tão seriamente que passam por cima da vivência e sentimentos de outras mulheres. E, enfim, cheguei ao ponto.

Eu me tornei essa mulher. Não sou paciente, muito do feminismo me ensinou a respeitar outra mulher, e de fato, isso acontece. Até certo ponto. Percebi, após várias autocríticas, que eu não suportava o feminismo liberal e culpava mulheres por isso. As mulheres que aceitavam homens nos espaços, as mulheres que permitiam que as pessoas trans tomassem conta do feminismo e do movimento LGBT em prol de uma coisa tão subjetiva que é o sentimento. Sim, mulheres acreditam que homens de saia, batom e barba são mulheres porque se sentem assim. E quando você questiona o que é se sentir mulher, nada diferente de papéis de gênero são colocados à mesa. Eu me tornei alguém anti-feminista por perder a paciência com mulheres em situação de Estocolmo. Precisamos ajudá-las na surdina, longe dos olhos e ouvidos masculinos que irão te chamar de transfóbica e destilar misoginia em nome da identidade de gênero.

Recentemente, uma feminista famosa no meio radical se afastou da militância. E cada dia mais vejo isso acontecer. Como a mesma já escreveu “nós falhamos“. Falhamos em comunicarmos com mulheres, falhamos em melhorar a teoria para que se torne acessível à todas. Falhamos em mantermos tudo isso na internet, no ambiente universitário. Feminismo é uma corrente de ajuda mútua e amor entre mulheres. Na prática, ele é racista, lesbofóbico e gordofóbico. O feminismo (aqui incluo todos) marginaliza mulheres já marginalizadas pela sociedade materialmente. Esquece das negras, das gordas, das lésbicas. Esquece das neuroatípicas (mulheres que sofrem com depressão, tdah, etc), das mães. Uma coisa que eu aprendi por repetição do ato: mulheres brancas preferem defender um homem branco em detrimento de uma mulher negra. Se as mulheres negras não podem confiar nas brancas, por que o feminismo existe? Se as lésbicas estão saturadas da imaturidade das héteros ao defender o estupro corretivo em nome de um sentimento masculino, a quem vão recorrer? Se as gordas precisam ouvir nos espaços feministas que devem agradecer por serem estupradas, em que isso ajuda? Mas até no feminismo há rivalidade, criada pelo patriarcado para embaçar nossa visão. Nossa socialização é pior que chiclete no cabelo!

O feminismo peca na prática porque somos pessoas. Não somos palavras que se encaixam e formam uma teoria. A minha militância nunca ajudou ninguém, eu nunca fui feminista. A minha condição como branca é de explorar mulheres negras, e isso é anti-feminista. Eu percebi que, era um erro me denominar feminista quando a diarista é negra. Quando eu perdia mais tempo discutindo a teoria na internet do que ajudando minha mãe negra em casa. Feminismo não é autoidentificação; se a sua atitude política não é de salvar, ajudar, emancipar mulheres, você não é feminista. Uma crítica ao liberal, que eu aplico ao radical. A política no radical é eficiente, mas ela não vinga na prática. Se um dia você precisar de ajuda financeira ou psicológica, não peça à uma feminista que acredita em autoidentificação feminista. Peça à alguém que tenha uma política feminista. Mulheres que trabalham em ONGs ajudam vítimas de violência doméstica, estupro, relacionamentos abusivos, e não conhecem o feminismo. A única coisa que essas mulheres conhecem é a empatia. E, sinceramente,  eu agradeço por tê-la em decorrência da socialização. Mulheres são empáticas. Mulheres conseguem colocar-se no lugar do outro — mesmo que ela seja esse outro para o resto da sociedade, como já foi dito por Beauvoir —  e ajudá-la. E quando fizemos recortes de raça, por exemplo, percebemos as classes mais ínfimas, que preferem ajudar um igual, independente de gênero, a um diferente, com o mesmo gênero.

Não basta a subversão ser somente sua, é preciso que todas as mulheres sejam subversivas. Isso não ocorrerá enquanto não houver uma política de segurança para mulheres, uma compreensão de empatia com a mesma classe. É mais producente ficar longe da internet e de espaços feministas tóxicos que abraçam homens, a perder saúde por isto. Enquanto mulheres na política, aborto legalizado e subsidiado pelo Estado, parto normal como prioridade e conhecimento do parto humanizado, diminuição de violência de gênero e relacionamentos abusivos, mães amamentarem em locais públicos, lésbicas não sofrerem estupros corretivos, ou seja, as verdadeiras pautas feministas pragmáticas não acontecerem, nós falhamos e de nada vale dizer-se feminista.

99 motivos por que nós precisamos do feminismo

Leitura recomendada: Feminismo para leigos

8 de março: Dia Internacional da Mulher 

“Conta-se que em 8 de março de 1857, 129 operárias morreram carbonizadas em um incêndio que ocorrera nas instalações de uma fábrica têxtil na cidade de Nova York. Esse incêndio teria, supostamente, sido intencional. O proprietário da fábrica, como forma de repressão extrema às greves e levantes das operárias, teria trancado suas funcionárias na fábrica e nelas ateado fogo. Essa história, contudo, é falsa. E, obviamente, o 8 de março não está relacionado a ela.

Entretanto, houve sim um incêndio em uma fábrica de tecidos em Nova York, mas ele aconteceu no dia 25 de março de 1911, às cinco horas da tarde, na Triangle Shirtwaist Company, e vitimou 146 pessoas, sendo 125 mulheres e 21 homens. A maior parte dos mortos era constituída de judeus. As causas desse incêndio foram as péssimas instalações elétricas da fábrica associadas à composição do solo e das repartições da fábrica e, também, à grande quantidade de tecido presente no recinto, o que serviu de acelerador para o fogo. A esse cenário trágico somou-se o agravante de alguns proprietários de fábrica da época, incluindo o da Triangle, usarem como forma de contenção de motins e greves o artifício de trancar os funcionários na hora do expediente. No momento em que a Triangle pegou fogo, as portas estavam trancadas.

Um ano antes dessa tragédia, em 1910, na cidade de Copenhague, ocorreu o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, que foi apoiado pela Internacional Comunista. Nesse evento, a então membro do Partido Comunista Alemão, Clara Zetkin, propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher, sem, entretanto, estipular uma data específica. Essa proposta era fruto tanto do feminismo, que ascendia naquela época, quanto das correntes revolucionárias de esquerda, como o comunismo e o anarquismo – inclusive, a anarquista lituana Emma Goldman foi um dos nomes mais importantes da época.

O incêndio de 1911 viria a ser sugerido, nos EUA, como dia simbólico das mulheres (tal como sugerido por Clara Zetkin). A maioria dos movimentos reivindicava melhorias nas condições de trabalho nas fábricas e, por conseguinte, a concessão de direitos trabalhistas e eleitorais (entre outros) para as mulheres. Vários protestos e greves já ocorriam na Europa e nos Estados Unidos desde a segunda metade do século XIX. O movimento feminista e as demais associações de mulheres capitalizaram essas manifestações, de modo a enquadrá-las, por vezes, à agenda revolucionária. Foi o que aconteceu em 08 de março de 1917 na Rússia.

Sabemos que a Revolução Russa ocorreu em 1917, ou melhor, completou-se em outubro de 1917. Pois bem, no dia 08 de março desse ano, as mulheres trabalhadoras do setor de tecelagem entraram em greve e reivindicaram a ajuda dos operários do setor de metalurgia. Essa data entrou para a história como um grande feito de mulheres operárias e também como prenúncio da Revolução Bolchevique.”

Fonte: http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas/dia-da-mulher.htm

99 motivos por que nós precisamos do feminismo:

1. Eu preciso do feminismo porque o patriarcado mata.
2. Eu preciso do feminismo porque homens relatam estupro em rede nacional e nenhuma medida é tomada.
3. Eu preciso do feminismo porque filmes, livros e novelas romantizam abuso e pedofilia.
4. Eu preciso do feminismo porque homens casam encarando a mulher como sua propriedade.
5. Eu preciso do feminismo porque morro todos os dias em clínicas clandestinas.
6. Eu preciso do feminismo porque o Estado manda no meu corpo.
7. Eu preciso do feminismo porque sou culpabilizada pelas atitudes de meus agressores.
8. Eu preciso do feminismo porque tenho medo de sair de casa e ser estuprada.
9. Eu preciso do feminismo porque não tenho oportunidades de emprego, nem salários iguais aos homens mesmo tendo a mesma formação.
10. Eu preciso do feminismo porque decidiram que eu era mulher no meu nascimento.
11. Eu preciso do feminismo porque a minha vagina é motivo de inferioridade.
12. Eu preciso do feminismo porque eu devo competir com as minhas irmãs.
13. Eu preciso do feminismo porque me colocaram contra quem me ama e a favor de quem me odeia.
14. Eu preciso do feminismo porque só olham para o próprio umbigo.
15. Eu preciso do feminismo porque a sociedade impôs padrões estéticos que jamais serão alcançados.
16. Eu preciso do feminismo porque morro tentando encaixar-me nesses padrões.
17. Eu preciso do feminismo porque toda mulher é linda e ninguém vai dizer o contrário.
18. Eu preciso do feminismo porque negras são ridicularizadas e invisibilizadas.
19. Eu preciso do feminismo porque negras são fetichizadas.
20. Eu preciso do feminismo porque negras são consideradas sujas.
21. Eu preciso do feminismo porque lésbicas são fetichizadas.
22. Eu preciso do feminismo porque lésbicas são consideradas anormais por não submeterem-se à heterossexualidade compulsória.
23. Eu preciso do feminismo porque acham que lugar de mulher é na cozinha.
24. Eu preciso do feminismo porque disseram que eu não podia me tocar.
25. Eu preciso do feminismo porque disseram que eu não podia fazer sexo quando eu tivesse vontade.
26. Eu preciso do feminismo porque disseram que engravidei porque não me cuidei.
27. Eu preciso do feminismo porque disseram que eu estava pedindo.
28. Eu preciso do feminismo porque as poucas mulheres na política brasileira são julgadas pelos seus corpos.
29. Eu preciso do feminismo porque o capitalismo me fez refém dos seus cosméticos, sapatos e roupas padronizadas.
30. Eu preciso do feminismo porque minhas irmãs foram queimadas por serem bruxas.
31. Eu preciso do feminismo porque me fizeram acreditar que eu não sou capaz de cuidar de mim mesma.
32. Eu preciso do feminismo porque mulheres são estupradas e não denunciam por medo ou vergonha.
33. Eu preciso do feminismo porque a síndrome de Estocolmo é comum.
34. Eu preciso do feminismo porque crianças são desde cedo sexualizadas e incentivadas a serem opressores e aceitarem ser oprimidas.
35. Eu preciso do feminismo porque homens matam em nome do “amor”.
36. Eu preciso do feminismo porque justificam pedofilia com “amor”.
37. Eu preciso do feminismo porque disfarçam gordofobia e racismo com gosto.
38. Eu preciso do feminismo porque as mulheres foram apagadas na história mundial.
39. Eu preciso do feminismo porque as mulheres foram apagadas nas artes (arquitetura, escultura, pintura, escrita, música, dança e cinema)
40. Eu preciso do feminismo porque sou apagada no esporte.
41. Eu preciso do feminismo porque menstruação é nojento.
42. Eu preciso do feminismo porque me ensinaram a odiar meu corpo.
43. Eu preciso do feminismo porque mulher peluda é suja e preguiçosa.
44. Eu preciso do feminismo porque meninas não falam palavrão.
45. Eu preciso do feminismo porque meninas são iludidas com o mito da virgindade.
46. Eu preciso do feminismo porque confundo relacionamento abusivo com amor.
47. Eu preciso do feminismo porque minha autoestima é destruída por meu cônjuge.
48. Eu preciso do feminismo porque aceito agressões físicas e verbais pois acredito que as mereço.
49. Eu preciso do feminismo porque me contento com migalhas de meu namorado/marido.
50. Eu preciso do feminismo porque sou coagida a fazer sexo sem proteção por meu parceiro.
51. Eu preciso do feminismo porque sou julgada como sexo frágil.
52. Eu preciso do feminismo porque ser gorda é desleixo.
53. Eu preciso do feminismo porque ser magra de mais é feio.
54. Eu preciso do feminismo porque mulheres não podem jogar futebol.
55. Eu preciso do feminismo porque mulheres negras sofrem reprodução de racismo dos próprios companheiros de luta.
56. Eu preciso do feminismo porque bissexuais são tachadas de indecisas.
57. Eu preciso do feminismo porque lésbicas são apagadas.
58. Eu preciso do feminismo porque aplaudem estupro.
59. Eu preciso do feminismo porque cabelo curto é coisa de homem.
60. Eu preciso do feminismo porque me julgam pelas minhas roupas.
61. Eu preciso do feminismo porque pago menos nas festas.
62. Eu preciso do feminismo porque mulheres trabalham fora e dentro de casa.
63. Eu preciso do feminismo porque a jornada da mulher é pesada.
64. Eu preciso do feminismo porque disseram que só sou mulher se tiver um filho.
65. Eu preciso do feminismo porque me julgam se eu recusar a maternidade.
66. Eu preciso do feminismo porque classificam mulheres em “para casar” e “para transar”.
67. Eu preciso do feminismo porque meu prazer não importa.
68. Eu preciso do feminismo porque arrancam meu clitóris pois não sou digna de ter prazer.
69. Eu preciso do feminismo porque sou proibida de estudar.
70. Eu preciso do feminismo porque sou proibida de votar.
71. Eu preciso do feminismo porque eu não tenho voz.
72. Eu preciso do feminismo porque homens e mulheres são criados para odiar exclusivamente mulheres.
73. Eu preciso do feminismo porque mães perdem a identidade ao dar a luz.
74. Eu preciso do feminismo porque mães são julgadas por atitudes de seus filhos que elas nem têm controle.
75. Eu preciso do feminismo porque mães são saturadas de responsabilidades e mesmo assim ninguém as parabeniza pelo esforço.
76. Eu preciso do feminismo porque negras são acusadas de vitimismo.
77. Eu preciso do feminismo porque negras têm sua cultura roubada para fins estéticos.
78. Eu preciso do feminismo porque homens usam a desculpa “foi uma piada” para misoginia.
79. Eu preciso do feminismo porque 33 mulheres foram presas em 2014 por abortar.
80. Eu preciso do feminismo porque a indústria pornográfica é a mais misógina de todas.
81. Eu preciso do feminismo porque a pornografia objetifica a mulher e a trata como subversiva.
82. Eu preciso do feminismo porque prostituição não é uma escolha.
83. Eu preciso do feminismo porque pornografia e prostituição são benéficos exclusivamente para homens.
84. Eu preciso do feminismo porque mulheres são pouco representadas em HQs e desenhos, e menos ainda com independência.
85. Eu preciso do feminismo porque mulheres são hipersexualizadas em todas as expressões artísticas.
86. Eu preciso do feminismo porque mulheres têm pouco espaço nas áreas de tecnologia, engenharia e medicina.
87. Eu preciso do feminismo porque mulheres são presenteadas com flores, chocolates por seus namorados; e eletrodomésticos, produtos de limpeza por seus maridos, mas raramente presenteadas com respeito.
88. Eu preciso do feminismo porque mulheres indígenas têm sua cultura hostilizada.
89. Eu preciso do feminismo porque sofro violência obstétrica.
90. Eu preciso do feminismo porque não sei cozinhar, então não posso casar.
91. Eu preciso do feminismo porque gordas não podem usar legging nem piercing.
92. Eu preciso do feminismo porque a publicidade lucra em cima do meu sofrimento.
93. Eu preciso do feminismo porque sou vendida como escrava sexual.
94. Eu preciso do feminismo porque vejo mulheres reproduzindo machismo e isso machuca.
95. Eu preciso do feminismo porque se incomodam mais com as feministas do que com a violência contra a mulher.
96. Eu preciso do feminismo porque só sirvo para reproduzir.
97. Eu preciso do feminismo porque preciso de médicos que saibam cuidar do meu corpo.
98. Eu preciso do feminismo porque comemoram o dia internacional da mulher sem ao menos saber por que ele existe.
99. Eu preciso do feminismo porque essas operárias ainda vivem em mim e nós não desistiremos, nem que nos queimem.

O feminismo quer liberdade. Liberdade de um sistema patriarcal, onde os privilégios são concentrados em uma só classe: o homem.

Se algum desses motivos te fez repensar, desconstrua o machismo. Ame sua mãe, sua avó, sua irmã, sua amiga, sua colega de trabalho/faculdade, sua cabeleireira, sua professora. Ame sua semelhante, e principalmente, se ame.

Neste dia, presenteie uma mulher com respeito e admiração. Nós merecemos, todos os dias.

A REVOLUÇÃO SERÁ FEMINISTA OU NÃO SERÁ!

Leitura complementar:
Feliz dia do “A cada 12 segundos um estupro”

18 mulheres brasileiras que fizeram a diferença

Se você achou algum dos motivos absurdo, segue links para conferência.

Estado Islâmico
http://oglobo.globo.com/mundo/um-guia-sobre-vida-das-mulheres-no-estado-islamico-15249787
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/12/141222_yazidis_estado_islamico_rm
http://www.dm.com.br/mundo/2015/03/mais-de-2-mil-mulheres-sao-escravas-sexuais-estado-islamico.html
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/03/as-mulheres-do-estado-islamico.html

Estupro
http://www.juspodivm.com.br/noticias/noticias_1410.html
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/03/alexandre-frota-confessa-um-crime-em-rede-nacional.html
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/india-uma-menina-e-mais-responsavel-por-um-estupro-do-que-o-rapaz/
http://blogueirasnegras.org/2014/01/22/para-mulheres-negras-a-quem-o-estupro-diz-respeito-raca-precedeu-questoes-de-genero/
http://oglobo.globo.com/sociedade/um-terco-dos-estudantes-estuprariam-mulher-se-pudesse-escapar-impune-diz-pesquisa-15119003
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-04-25/90-das-mulheres-estupradas-nao-denunciam-agressor-diz-especialista.html
http://www.cartacapital.com.br/blogs/feminismo-pra-que/ande-na-linha-ou-aguente-as-consequencias-um-recado-da-cultura-do-estupro-3460.html

Culpabilização e coerção
http://www.cartacapital.com.br/blogs/midiatico/bbb-15-talita-obrigou-rafael-a-transar-sem-camisinha-1417.html
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/estudo-mostra-que-um-em-cada-tres-jovens-e-vitima-de-coercao-sexual-1562535
http://blogueirasfeministas.com/2013/02/camisinha-respeito-individualidade-violencia/
https://vulvarevolucao.wordpress.com/2015/03/02/mulheres-nao-gostam-de-sexo-ou-homens-nao-gostam-de-mulheres/
http://blog.portalexamedeordem.com.br/blog/2015/02/postou-foto-de-biquini-no-facebook-e-perdeu-o-cliente-ou-a-postura-do-advogado-nas-redes-sociais/
http://naofo.de/2a7k

Socialização feminina
https://radicalista.wordpress.com/2014/07/24/a-politica-de-identidade-de-genero-machuca-as-mulheres/
https://milfwtf.wordpress.com/2014/06/04/eu-nao-sou-cis-nem-voce/
https://nosotraslasbrujas.wordpress.com/2014/08/17/se-mulheres-trans-sao-mulheres-entao-o-que-significa-ser-uma-mulher/

Objetificação e romantização de abuso/submissão
http://www.papodehomem.com.br/mulher-que-da-na-primeira-noite-essa-e-pra-casar
http://www.opopular.com.br/editorias/cidades/promo%C3%A7%C3%A3o-de-calourada-causa-indigna%C3%A7%C3%A3o-nas-redes-sociais-1.788991
http://www.naomekahlo.com/#!50-Tons-de-Cinza-a-romantiza%C3%A7%C3%A3o-do-abuso/c1a1n/54de2c240cf2a1055e58514d
https://nosotraslasbrujas.wordpress.com/2014/01/01/traducao-de-onde-vem-a-sua-mordaca-bdsm-e-a-erotizacao-de-torturas-antigas/
http://colantsemdecote.com/2014/08/20/maria-isis-relacionamentos-abusivos-e-lolitas-nas-novelas/
http://www.festivalmarginal.com.br/inspiracao/iuzomismo-mata/

Prostituição e pornografia
https://nosotraslasbrujas.wordpress.com/2014/09/16/a-industria-que-silenciosamente-lucra-bilhoes-com-a-exploracao-de-mulheres-e-criancas-e-que-deveriamos-lutar-contra/
https://marchamulheres.wordpress.com/2013/04/12/a-prostituicao-sob-o-olhar-do-feminismo-que-transforma/
https://manaschicas.wordpress.com/category/prostituicao/

Capitalismo e os padrões estéticos
http://naofo.de/353j
http://naofo.de/342l
http://lugardemulher.com.br/a-menina-mais-linda-do-mundo/

Apropriação cultural
http://www.festivalmarginal.com.br/inspiracao/tirem-a-mao-dos-nossos-simbolos-de-luta/
http://blogueirasnegras.org/2014/07/10/ser-preto-ta-na-moda/
http://www.revistacapitolina.com.br/o-que-e-apropriacao-cultural/

Aborto
http://brasil.estadao.com.br/blogs/estadao-rio/aborto-so-vai-a-votacao-se-passar-pelo-meu-cadaver-diz-cunha/
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/33-mulheres-foram-presas-por-aborto-em-2014
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/02/gravida-francesa-deixa-o-brasil-para-abortar-aqui-tenho-que-mentir.html
http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2014/10/23/documentario-mostra-as-clandestinas-que-abortam/
https://br.celebridades.yahoo.com/blogs/notas-omg/debora-bloch-revela-que-ja-fez-aborto-nao-tive-142520275.html
http://www.cartacapital.com.br/blogs/escritorio-feminista/aborto-nao-e-questao-de-opiniao-3068.html
http://noticias.terra.com.br/mundo/america-latina/mulheres-do-uruguai-fizeram-5-mil-abortos-no-1-ano-de-descriminalizacao,e0c8334b659b2410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

Maternidade
http://lugardemulher.com.br/prazer-sou-uma-mae-egoista/
http://lugardemulher.com.br/posso-viver/
http://lugardemulher.com.br/licenca-maternidade-nao-e-ferias/
http://lugardemulher.com.br/maternidade-nao-e-talento-natural/

Publicidades machistas
http://www.revistaforum.com.br/questaodegenero/2015/02/12/vono-marca-machista/
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/02/ativistas-criticam-nova-propaganda-de-carnaval-da-skol.html
http://oglobo.globo.com/sociedade/comercial-sugere-que-mulheres-com-pelos-sao-mais-masculinas-12141403
http://www.buzzfeed.com/clarissapassos/a-campanha-da-always-nao-e-tao-legal-quanto-parece#.cdmxY6yG7N

Pedofilia
http://moda.terra.com.br/loja-de-luciano-huck-e-acusada-de-apologia-a-pedofilia,ac6ef0add51eb410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html
http://revistaglamour.globo.com/Na-Real/noticia/2015/02/fofo-noivo-faz-voto-de-amor-eterno-para-enteada-de-4-anos.html

Violência obstétrica e mutilação
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/uma-em-cada-quatro-mulheres-sofre-violencia-obstetrica-no-brasil-ee5jkxiutgeb18bwkud2ozhhq
http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2014/03/12/mulheres-denunciam-violencia-obstetrica-saiba-se-voce-foi-vitima/
http://super.abril.com.br/saude/retirada-clitoris-comum-africa-437071.shtml

Lesbofobia
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/02/espancada-e-aprisionada-pelos-proprios-pais-por-ser-lesbica.html
https://radicalista.wordpress.com/2014/08/12/a-misoginia-e-a-lesbofobia-na-politica-e-em-seus-ambientes/
http://correionago.com.br/portal/notas-sobre-um-caso-de-lesbofobia-e-falocentrismo-2/

Racismo
http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/01/racismo-gente-ve-na-globo/
http://blogueirasnegras.org/2015/02/06/rainhas-e-madrinhas-de-bateria-onde-estao-nossas-mulheres-negras-das-comunidades/
http://blogueirasnegras.org/2015/02/20/o-que-acontece-quando-nao-nos-calamos/

Inferiorização
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/10/1355036-tarefas-do-lar-tiram-tempo-de-estudo-de-meninas-aponta-pesquisa.shtml?cmpid=compfb
http://www.portalmetropole.com/2015/02/bolsonaro-diz-que-patroes-deveriam.html
http://oglobo.globo.com/sociedade/homens-ganham-em-media-mais-que-as-mulheres-em-quase-todas-as-ocupacoes-no-brasil-15419327
http://www.festivalmarginal.com.br/inspiracao/brasil-e-o-3o-com-menos-mulheres-em-cargos-de-lideranca/

Construção social: virgindade, heterossexualidade e pelos
http://www.cemhomens.com/2012/11/quebrando-paradigmas-virgindade/
http://www.ibahia.com/a/blogs/sexualidade/2012/07/18/por-que-a-heterossexualidade-nao-e-natural/
https://materialfeminista.milharal.org/files/2012/08/Heterossexualidade-Compuls%C3%B3ria-e-Exist%C3%AAncia-L%C3%A9sbica-Adrienne-Rich.pdf
http://socialistamorena.cartacapital.com.br/a-suavidade-esquecida-dos-pelos/