Freud explica

O título que pensei anteriormente seria: “Como a psicanálise corrobora com a perpetuação do patriarcado”, mas vamos dar nome aos bois, não é mesmo?

Qual a primeira coisa que lhe vem à mente quando lê o termo “psicanálise”? A mim, Freud, o pai dela. O pai abusivo, misógino e agressor da psicanálise, o criador da ferramenta mais promissora do século XX que fundamenta sua inferioridade como a Bíblia fez na Era da Medieval — ainda o faz.

Para quem é nova neste assunto, Freud inicia o século XX criando uma teoria que, agora já devidamente desligada da filosofia, compreende os motivos psíquicos de todos os problemas sofridos pelas mulheres, por decorrência da misoginia e da opressão estrutural estabelecida desde o início dos tempos. Dividindo a mente em consciente e inconsciente, sendo o consciente a completa noção e percepção dos sentidos, e o segundo, tudo que esteve reprimido do consciente, como algo escondido que, por meio da psicanálise, torna-se possível superar. Vale lembrar que para Freud a teoria tomava com base o sexo, os desejos sexuais — como se a sexualidade feminina já não fosse suficientemente desprezada e usada a favor do patriarcado.

Com isto, cria-se os transtornos. Rótulos muito bem fundamentados com a subjetividade da mente humana para justificar a submissão feminina.

“Mas homens também possuem transtornos!” Você diz.
Não de acordo com esses conceitos freudianos:

       1. Perturbação Histriônica da Personalidade (PHP)

Consiste em necessidade constante de atenção, comportamentos excessivamente dramáticos, pessoas manipuladoras, sedutoras, impulsivas, inconstantes, e exigentes. Pessoas vulgares, por assim dizer, ou que usam sua aparência para manipular ou seduzir outrem.

Sejamos coerentes, qualquer pessoa pode abarcar essas características. Com mais probabilidade se a pessoa passou por traumas, abusos físicos ou psicológicos. Além disso, a raiz etimológica da palavra é chocante.

“O termo origina-se do grego, hystéra, que significa útero. Uma antiga teoria sugeria que o útero vagava pelo corpo e a histeria era considerada uma moléstia especificamente feminina, atribuída a uma disfunção uterina. Na verdade, os sintomas histéricos podem se manifestar em homens e mulheres e são mais comumente observados na adolescência.”

Curioso, não? É até comum o termo “histérica” ser usado para fazer gaslighting. Marilyn Monroe foi diagnosticada com PHP, por ser uma mulher à frente de sua época.

     2. Transtorno da Personalidade Masoquista

O transtorno de personalidade masoquista baseia-se na submissão e, grosso modo, no prazer em vivenciá-la. Quem possui este transtorno costuma humilhar-se, dar a outra face, entre outras características, a fim de agradar outrem. Algumas características que podem ser citadas:

(I) auto-sacrifício e aceitação da exploração de outros;
(II) sentimento de não merecer o amor em sua vida.

Por sua vez, é encarada como uma parafilia, o prazer na dor e no sofrimento. Com contribuição do pai da psicanálise:

“O dicionário segue contando que Freud estendeu a noção de masoquismo para além da perversão descrita pelos sexólogos, seja estendendo o termo a aspectos da vida dita normal (como a sexualidade infantil), ou qualificando o termo em Masoquismo Erógeno, Masoquismo Feminino e Masoquismo Moral.”

Ora, neste momento só me recordo das mulheres espancadas pelos cônjuges que vivem uma relação de Estolcomo, sendo que 43% das mulheres sofrem agressões diariamente, mas como é o ditado mesmo? “Mulher gosta de apanhar!” ou “Um tapinha não dói!” E com esses chavões cria-se uma cultura de extermínio feminino pelo prazer do homem.

       3. Transtorno da Personalidade Sadista

“Advém do comportamento de Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade. Ele foi um aristocrata francês e escritor marcado pela pornografia violenta e pelo desprezo dos valores religiosos e morais. (…) De seu nome surge o termo médico sadismo, que define a perversão de obter prazer infligindo dor física ou moral em outrem.” (Grifos meus)

Deveria ser consenso no nosso meio que pornografia é uma violência decorrente da misoginia, e que de libertadora não tem nada. Lá no século XVII a misoginia era denominada sadismo. Então, classificamos que o masoquista gosta de sentir dor, e o sádico de causar dor. Juntando os pontos: sadomasoquismo e a romantização da violência contra a mulher, bem representada em 50 Tons de Cinza. Bom, nem todo sádico é homem, mas todo homem é sádico!

“Mas eu gosto de sentir dor/causar dor!” O que é gostar?

Não sou versada em Psicologia, alguém poderá dizer melhor todas as problemáticas envolvendo Freud, desde pedofilia até a misoginia escancarada, como já vista em alguns transtornos supracitados. Além disso, ao criar a psicanálise, Freud garante que seus abusos e violências não passam de sentimentos reprimidos da infância, e que você deve superar, ou ainda sugere que você estava conscientemente desfrutando de tais abusos. Ele te ajuda a superar os medos, as aversões e a amar os homens novamente, mesmo que tenham te estuprado e abusado psicologicamente das suas funções cognitivas. Perdoe o pênis, ele é puro instinto, é mecânico.

Referências

Psicanálise. http://www.infoescola.com/psicologia/psicanalise/

PHP. http://oficinadepsicologia.com/perturbacoes-de-personalidade/histrionico-2

____. http://www.freudpage.info/freudhisteria.html

Transtorno de Personalidade Masoquista. http://saude-info.info/transtorno-da-personalidade-masoquista.html#sthash.Egi0iIkq.dpbs

________________________________. http://www.ufrgs.br/psicopatologia/wiki/index.php/De_Sacher-Masoch_ao_Masoquismo

Sadismo. http://faminem.com/2011/08/07/a-origem-da-palavra-sadismo/

Plus

Um diálogo com Simone de Beauvoir. http://www.cufa.org.br/in/maria_maria/simone.pdf

Prevalência de transtornos mentais comuns em mulheres e sua relação com as características sociodemográficas e o trabalho doméstico. http://www.scielo.br/pdf/rbsmi/v5n3/a10v5n3.pdf

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